Contexto
Saiu em Londres em 17 de setembro de 1954, pela Faber and Faber, depois de ser recusado por várias editoras. O manuscrito se chamava Strangers from Within, algo como estranhos vindos de dentro. Foi o primeiro romance de Golding, e a primeira tiragem, de 3 mil exemplares, vendeu devagar.
É uma resposta a outro livro. The Coral Island, romance juvenil de R. M. Ballantyne de 1857, conta três meninos britânicos que naufragam numa ilha, vivem bem e enfrentam nativos descritos como canibais: era a imagem de como um menino britânico devia se portar longe de casa. Golding pegou dois nomes emprestados, Ralph e Jack, e trocou de lugar quem é o selvagem.
O romance se passa durante uma guerra que ele quase não descreve. O primeiro capítulo deixa escapar que os meninos estavam sendo retirados de casa e que houve uma bomba atômica. Golding escreveu nove anos depois de Hiroshima, e tinha passado a Segunda Guerra na Marinha britânica, onde comandou no Dia D uma lancha de desembarque armada com foguetes.
Teve dois filmes em inglês, de 1963 e de 1990, e em 2026 ganhou a primeira adaptação para a televisão, uma minissérie britânica de quatro episódios que estreou no Brasil em 16 de julho. Os guias deste site seguem o livro, não as adaptações.
Sobre o autor
William Golding (1911 a 1993) nasceu na Cornualha, estudou ciências naturais e depois letras inglesas em Oxford e deu aulas numa escola de meninos em Salisbury antes e depois da guerra. Na Marinha, serviu num contratorpedeiro que participou da caça ao encouraçado Bismarck e esteve no desembarque da Normandia. Senhor das Moscas, o primeiro romance, saiu dois dias antes de ele fazer 43 anos. Ganhou o Booker em 1980, com Rites of Passage, e o Nobel de Literatura em 1983.
Sobre as edições
O original tem direito autoral, e a tradução também. A edição brasileira em catálogo é a da Alfaguara, com a tradução de Sergio Flaksman, que a editora publica desde a década de 2010 e reeditou em 2021 com 216 páginas; na capa, o título é Senhor das Moscas, sem o artigo. Antes dela, o livro circulou por décadas na tradução de Geraldo Galvão Ferraz, pela Nova Fronteira, que ainda aparece em sebos. Há também uma adaptação em quadrinhos de Aimée de Jongh (Suma, 2024, tradução de Érico Assis), que não substitui o romance. Nos guias, os nomes seguem a tradução de Flaksman: Ralph, Jack, Simon, Porquinho, a concha e o monstro que assusta os menores. Não conseguimos conferir como a tradução da Nova Fronteira resolve esses nomes; quem tiver essa edição, compare na primeira página. Não vendemos livro nenhum e não usamos link de afiliado.