O que acontece
O noivo pede a filha em casamento, formalmente. Numa manhã, a mulher entra no quarto e encontra Ivan Ilitch pior. Ele a olha com ódio. Quando o médico chega, ele diz que sabe que nada pode ser feito e pede para ser deixado em paz.
E então a pergunta que vinha expulsando se instala: e se a vida inteira não tiver sido o que devia? Os pequenos impulsos que ele sentiu contra o que era considerado correto, e que sempre sufocou, podem ter sido a única coisa verdadeira. O trabalho, a casa, a família, as relações: tudo pode ter sido falso. A mulher sugere que ele se confesse e comungue. Ele aceita, sente um alívio breve e volta a ter esperança.
Repare em
- Ivan Ilitch olha para o criado, a mulher, a filha e o médico, e em cada um vê a si mesmo: a mesma vida organizada para esconder a vida e a morte.
- A dor física aumenta junto com a clareza. Quanto mais ele entende, mais dói.
- A comunhão. O alívio que ela traz é real e curto, e o capítulo não diz se vem da fé, do ritual ou só da esperança de uma cura.
O momento
Depois da comunhão, a mulher pergunta se ele se sente melhor, e ele responde que sim. Tudo nela, o vestido, o rosto, a voz, diz a mesma coisa: não é isso, tudo aquilo em que você viveu é mentira. Ele se vira de repente e grita para que o deixem em paz. Esse sim é o ponto sem volta do livro.