O que acontece
Um mês passa, depois outro. O cunhado chega para uma visita, vê Ivan Ilitch e quase deixa escapar o susto. Ivan Ilitch se olha no espelho, compara o rosto com um retrato antigo e entende a mudança. Mais tarde ouve, atrás de uma porta, o cunhado dizer à irmã que ele já é um homem morto.
Procura outro médico, amigo de Piotr Ivánovitch, que tem uma teoria nova sobre o apêndice. Por algumas horas a explicação técnica funciona como remédio: há um órgão com defeito, há um jeito de consertar. À noite, sozinho na cama, a teoria desmorona.
Repare em
- O espelho e o retrato. Tolstói mostra a doença pelo contraste com a imagem que Ivan Ilitch tinha de si mesmo.
- A esperança que vem do vocabulário médico: enquanto o problema tiver nome de órgão, pode ser consertado, como um processo com erro de procedimento.
- A casa continua funcionando normalmente, com visitas e música, a poucos metros do quarto.
O momento
A virada da noite: ele percebe que a questão não é o apêndice nem o rim, mas a vida e a morte. É a primeira vez que a palavra aparece na cabeça dele sem disfarce. E, na mesma hora, vem a certeza de que ninguém na casa sabe disso, ou quer saber.