Contexto
Saiu nos Estados Unidos em 18 de setembro de 1937, pela J. B. Lippincott. Hurston o escreveu em cerca de sete semanas, no Haiti, onde fazia pesquisa de campo como antropóloga, com uma bolsa Guggenheim.
Eatonville existe. Foi incorporada em 15 de agosto de 1887 e está entre as primeiras cidades dos Estados Unidos fundadas e governadas por negros. Hurston chegou lá aos três anos, cresceu ali e fez da cidade o cenário de várias histórias. O romance começa e termina nela.
O livro tem duas línguas. A narração é um inglês literário, cheio de imagens; as falas vêm na variedade do inglês falada pelos negros do Sul, escritas como se pronunciam. Em 1937, Richard Wright escreveu que os personagens dela giravam na órbita estreita em que os Estados Unidos gostavam de ver o negro, entre o riso e as lágrimas. O romance caiu no esquecimento e só voltou depois que Alice Walker publicou, em 1975, na revista Ms., o relato de sua busca pelo túmulo da autora; a reedição veio em 1978.
Sobre o autor
Zora Neale Hurston (1891 a 1960) nasceu em Notasulga, no Alabama, e cresceu em Eatonville, na Flórida, filha de um pastor batista. Aos 26 anos, para ter direito à escola secundária gratuita, passou a dizer que tinha nascido em 1901. Estudou no Barnard College, em Nova York, e fez pesquisa de antropologia com Franz Boas, recolhendo histórias, canções e crenças no Sul dos Estados Unidos e no Caribe. Publicou quatro romances, uma autobiografia e livros de folclore. Morreu num asilo público do condado, em Fort Pierce, e ficou num túmulo sem nome até 1973, quando Alice Walker mandou pôr ali uma lápide que a chama de gênio do Sul e que traz o ano de nascimento inventado.
Sobre as edições
O original tem direito autoral, e a tradução também. A edição brasileira é a da Record, com tradução de Marcos Santarrita: saiu em 2002, com 224 páginas, e voltou em 2021 numa segunda edição de 256 páginas, com a tradução revista pelo antropólogo Messias Basques e prefácio da crítica americana Mary Helen Washington. Nas páginas das livrarias, o nome do tradutor aparece como Marco Santarrita. O ponto delicado é a língua: o Brasil não tem um equivalente exato da fala do Sul negro dos Estados Unidos, e Santarrita passou os diálogos para um português coloquial, fora da norma, com "num" no lugar de "não", "cê" e plurais sem concordância. A escolha divide especialistas. A pesquisadora Maria Aparecida Salgueiro, da UERJ, escrevendo sobre a primeira edição, leu ali um português apenas incorreto, que apaga a perspectiva de Hurston; a sociolinguista Stella Maris Bortoni-Ricardo, da UnB, achou que a edição de 2021 fez um bom trabalho numa tarefa muito difícil. Nos guias, os nomes seguem essa edição: Janie, Pheoby, Logan Killicks, Joe Starks, Tea Cake e a avó, que na tradução se chama Babá. Não vendemos livro nenhum e não usamos link de afiliado.