O que acontece
No enterro, Janie veste o luto e o rosto que a cidade espera; por dentro, sente-se livre. Depois, queima todos os panos de cabeça que Joe a obrigava a usar e passa a andar com o cabelo à mostra. Sozinha, pensa na avó e descobre que tem raiva dela: Babá pegou o horizonte, a maior coisa que existe, e o reduziu a uma coisinha, a segurança de um marido e de um pedaço de terra.
Viúva e com dinheiro, Janie vira alvo de pretendentes da cidade e de fora, todos repetindo que uma mulher sozinha é uma coisa triste. Ela ri e pede tempo. Hezekiah, o rapaz que ajuda na loja, começa a imitar os modos de Joe, e ela acha graça. Seis meses passam, e ela continua sem aceitar ninguém. Pheoby aconselha discrição, porque a cidade vai dizer que ela não sente a falta do marido. Janie responde que não sente, e que não se importa que saibam.
Repare em
- A raiva de Babá. É a primeira vez que Janie julga a avó, e ela usa a palavra do livro: horizonte. A mesma avó que no capítulo 2 pedia compaixão agora é acusada de ter encolhido o mundo da neta. O livro deixa as duas coisas de pé.
- Uma mulher sozinha. Os pretendentes repetem que uma mulher sozinha dá pena, de olho no dinheiro de Joe. Janie ouve a frase de todos os lados e descobre que não concorda com ela.
- Hezekiah. O rapaz da loja imita o fumo e o jeito mandão de Joe, e Janie acha graça. Com Joe morto, a imitação vira comédia, e isso diz muito sobre o tamanho que Joe parecia ter.
O momento
A fogueira dos panos. Não há testemunha, discurso nem varanda: Janie queima sozinha o objeto que resumia o casamento. É o primeiro gesto de liberdade dela, feito em silêncio, enquanto por fora cumpre o luto direitinho.