O que acontece
Acaba a temporada, e Janie e Tea Cake resolvem ficar mais um ano. Com menos trabalho, Janie repara em coisas que não via, como os tambores dos trabalhadores vindos das Bahamas, e faz amizade com a senhora Turner. Ela tem a pele clara e traços que considera finos, e se orgulha disso. Despreza os negros de pele escura, acha que eles puxam para trás gente como ela e Janie, e diz que o certo seria clarear a raça, casando só com gente clara.
Ela não entende por que Janie, tão clara, casou com um homem escuro como Tea Cake, e quer apresentá-la ao próprio irmão, de pele clara. Janie ri da ideia e defende o marido. Tea Cake ouve a conversa inteira e decide pedir ao marido dela que a mantenha longe da casa deles, mas, quando encontra o senhor Turner na rua, vê um homem apagado, sem força para mandar em nada, que perdeu vários filhos. Pede então a Janie que trate a vizinha com frieza. Não adianta: quanto mais Janie a despreza, mais a senhora Turner a admira, porque para ela a pele clara de Janie merece reverência.
Repare em
- A cor da pele. Até aqui, a pele clara de Janie apareceu como beleza e como motivo de inveja. Com a senhora Turner, ela aparece como hierarquia: uma mulher negra que despreza os negros e venera o branco. Hurston põe o preconceito dentro da comunidade, não só fora dela.
- O irmão. A senhora Turner não oferece a Janie um homem, oferece um tom de pele. É a lógica de Babá com os sessenta acres, trocada a terra pela cor.
- O senhor Turner. Tea Cake vai tirar satisfação com o marido e desiste ao vê-lo. Repare como o livro descreve um marido sem voz nenhuma, o contrário exato de Joe Starks.
O momento
A reverência da senhora Turner. Janie a trata mal, e ela volta sempre, porque para ela o desprezo de uma pessoa clara é prova de superioridade. É a cena mais amarga do capítulo, e Hurston a escreve quase como comédia.